Defensoria e FUnATI iniciam nova turma do Defensor Digital 60+ com foco em inteligência artificial como ferramenta de acesso a direitos

Curso iniciou nesta quarta-feira (15) e ensina sobre o uso prático da tecnologia para utilizar serviços e combater riscos digitais

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) e a Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (FUnATI) deram início, nesta quarta-feira (15), a uma nova turma do “Defensor Digital 60+”. O curso é voltado à capacitação de pessoas idosas no uso de tecnologias e na navegação segura no ambiente virtual. Nesta edição, o tema central das aulas é a Inteligência Artificial (IA), abordando desde conceitos básicos até o uso prático no dia a dia, como apoio em tarefas, organização de informações e acesso a serviços públicos digitais.

De acordo com o defensor público Marcelo Pinheiro, coordenador do Núcleo de Direitos e Promoção da Pessoa Idosa (Nuappi), o curso “Defensor Digital 60+” vai ensinar pessoas idosas a construir comandos, ou como também são chamados “prompts”, para acessar serviços públicos com autonomia. Mas o conteúdo vai além do uso prático, pois cobre ainda os riscos da IA, como a criação de desinformação e deepfakes.

“Muitas pessoas idosas deixavam de acessar serviços públicos porque não sabiam se posicionar, não sabiam escrever da forma adequada para uma corregedoria, por exemplo. Hoje, o curso vai ensinar não só como usar a inteligência artificial, mas como usá-la para exercer direitos”, explica o defensor. “Isso é um letramento digital e cidadão”.

Para o reitor da FUnATI, Euler Ribeiro, a iniciativa também reforça o papel da educação ao longo da vida. “Na FUnATI, acreditamos plenamente na capacidade de aprendizagem em qualquer idade. Essa parceria com a Defensoria fortalece o nosso compromisso com um envelhecimento ativo, saudável e conectado com as transformações do mundo contemporâneo”, disse.

O médico aposentado José Bernardes, que já presidiu o Conselho Regional de Medicina (CRM) e atuou por mais de 50 anos na área, ressaltou a importância do curso. “É um curso muito importante, principalmente para a pessoa idosa, porque hoje a informática está em todos os setores da nossa atividade. Os mais antigos, como eu, não tiveram essa formação. Então é essencial ter um conhecimento básico para o dia a dia”, afirma.

Participando pela primeira vez da capacitação, Rute Vasconcelos, de 74 anos, destaca que o principal desafio ainda é o medo. “Eu quero aprender o básico. Tenho medo de abrir o banco no celular e entrar um vírus e roubar meu dinheiro. Hoje é uma era da fake news. Esse medo deixa, muitas vezes, nós, com mais de 60, sem usar as ferramentas”, relata.

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