Uma cena inusitada encheu a tela das televisões, nos programas policiais do dia 3 de março: o sindicalista Gilvancir Oliveira, presidente do Sindicato dos Rodoviários, acostumado a bravatas como as greves de ônibus que já prejudicaram milhares de pessoas, surgiu, lépido e fagueiro, algemado e empurrado para o camburão da Policia, no deslocamento da Delegacia de Iranduba, para os tramites legais de uma prisão de 30 dias, determinada pela Justiça.
Gilvancir é acusado de ter atirado e matado o jovem Bruno e ferido seus primo, numa emboscada num ramal no município de Iranduba, para não pagar uma dívida trabalhista. A família de Gilvancir foi envolvida num escândalo no mês passado quando a residência do clã, também em Iranduba, uma mansão de dar inveja a milionário, foi assaltada com a retirada de 200 mil em espécie.
Neste caso, a família foi vítima, mas o escândalo ficou por conta da grandiosidade da mansão para um simples trabalhador, defensor dos direitos e o valor de 200 mil no armário. Falta explicar a fortuna, a mansão, o dinheiro guardado e a fonte de tantos ganhos, porque sindicalista não tem salário de marajá.
O fato provocou a necessidade de uma auditoria nas contas e revelou o estelionato que os sindicatos vinham praticando, com o desconto obrigatório dos trabalhos, sem retorno claro, no caso dos rodoviários, além de greves, obstrução de garagens e prejuízo para toda a coletividade.
Como agora o desconto não é mais compulsório e os cofres dos sindicatos estão ficando vazios, vale guardar o que for possível na mala, na gaveta do armário, no cofre escondido na parede, na cueca ou debaixo do colchão.
Mas a ironia da cena da televisão foi a mudança da arrogância do Gilvancir, como defensor dos fracos e oprimidos, gesticulando com o dedo na cara das pessoas, para o rosto de sofrimento, as mãos algemadas e a dificuldade física de arrastar a bunda para dentro do camburão da polícia.
Não se tem notícia ainda de que fará greve de fome nos 30 dias da prisão temporária.
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