Docente da Afya explica que a produção de leite depende principalmente de mecanismos fisiológicos e hormonais
Manaus, 07 de agosto de 2026 – Mesmo com o acesso cada vez maior à informação, muitos mitos sobre a amamentação continuam sendo compartilhados entre familiares, amigos e nas redes sociais. A crença de que existe “leite fraco”, de que beber cerveja preta, chás ou consumir determinados alimentos aumenta a produção de leite e até a ideia de que o bebê chora porque o leite materno “não sustenta” ainda fazem parte da realidade de muitas mulheres. Segundo a médica nutróloga e docente da Afya Educação Médica, Bruna D’Avila, essas afirmações não encontram respaldo científico e podem gerar insegurança, comprometendo a experiência da amamentação.
“O leite materno é um alimento vivo, dinâmico e adaptado às necessidades do bebê. Sua composição se modifica ao longo da mamada e também ao longo do tempo, justamente para atender às diferentes necessidades da criança. Por isso, não existe, na prática, o conceito de ‘leite fraco'”, explica.
A médica destaca que outra crença bastante difundida é a de que determinados alimentos ou bebidas seriam capazes de aumentar significativamente a produção de leite. Entre as recomendações populares mais conhecidas estão o consumo de canjica, cerveja preta e diferentes tipos de chás. No entanto, de acordo com a nutróloga, essas práticas não possuem evidências científicas robustas.


“É importante separar a alimentação adequada da mãe dos chamados alimentos que aumentam o leite. Não existe um alimento universalmente comprovado como capaz de aumentar a produção de leite materno de forma significativa. Inclusive, bebidas alcoólicas não são recomendadas como estratégia para estimular a lactação”, afirma.
Conforme Bruna D’Avila, embora uma alimentação equilibrada e a hidratação sejam fundamentais para a saúde da mulher durante esse período, elas não são, isoladamente, responsáveis pela produção de leite. “A produção de leite depende principalmente dos mecanismos fisiológicos e hormonais da lactação e do princípio da oferta e demanda. Quanto mais frequente e eficientemente o leite é removido das mamas, maior tende a ser o estímulo para sua produção.”
A especialista acrescenta que outros fatores também podem interferir nesse processo, como pega inadequada do bebê, intervalos muito longos entre as mamadas, introdução precoce e desnecessária de complementação, além de estresse, privação de sono e algumas condições clínicas ou medicamentosas.
“Quando existe uma percepção de baixa produção, o mais importante é investigar a causa e não simplesmente buscar um alimento ou suplemento para ‘aumentar o leite'”, ressalta.
A nutróloga também chama atenção para o impacto emocional que essas crenças podem provocar nas mulheres. Para ela, a insegurança em relação à quantidade de leite muitas vezes está relacionada ao cansaço, à privação de sono, à ansiedade e à pressão social.
“A mulher precisa ser acolhida e orientada, e não culpabilizada. Amamentar pode ser uma experiência muito potente, mas também pode ser desafiadora. Reconhecer essa realidade faz parte de um cuidado verdadeiramente humanizado”, destaca.
Alimentação da mãe em foco
Além dos cuidados com o bebê, Bruna D´Avila reforça que a saúde materna também deve estar no centro da atenção. Durante a lactação, as necessidades nutricionais aumentam e, por isso, a mulher precisa manter uma alimentação adequada, variada e suficiente para esse período, respeitando suas necessidades individuais.
“Não é o momento de fazer dietas restritivas ou buscar uma perda de peso acelerada. A recuperação materna e a saúde metabólica também precisam fazer parte desse cuidado. Uma mulher bem nutrida, acolhida, orientada e apoiada tem melhores condições de vivenciar esse processo com mais segurança e tranquilidade”, comenta.
Atendimento gratuito – Em Manaus, a Afya Educação Médica oferece atendimento gratuito em várias especialidades, incluindo nutrologia. O serviço é parte das atividades práticas dos cursos de pós-graduação.
Os atendimentos, por agendamento, são realizados na sede da instituição, na avenida André Araújo, 2767, bairro Aleixo.
A Afya de Manaus conta com uma estrutura premium, que reúne sete salas de aula, 18 ambulatórios e duas salas para pequenos procedimentos. Os interessados podem entrar em contato pelo número (92) 99379-9297 para verificar a disponibilidade de vagas e realizar o agendamento.