Realizada de forma independente, iniciativa dá o primeiro passo de um projeto que pretende ampliar a circulação de obras e artistas trans por diferentes territórios e públicos da capital amazonense
A iniciativa da Companhia Transversal de Artes Integradas reúne trabalhos do repertório da companhia e propõe novos encontros entre obras, artistas, territórios e públicos.



Em sua primeira edição, realizada de forma independente, a Mostra conta com o apoio da Escola de Teatro e Canto Artemax, que recebe a programação, e com a parceria do Vale das Pedrinhas – Cazuá de Criação, que apoia a realização dos ensaios, as ações de comunicação e imprensa e as iniciativas voltadas à acessibilidade da Mostra.
A programação acontece na Escola de Teatro e Canto Artemax, localizada na Rua Acre, 164, Nossa Senhora das Graças, com apresentações de Matrioska, nos dias 22 e 24 de setembro, às 19h30, e de Senhora Travesti, no dia 25 de setembro, às 19h30.
A Mostra nasceu do desejo de colocar em circulação trabalhos construídos a partir de narrativas, experiências e perspectivas de pessoas trans, fazendo com que essas obras encontrem diferentes públicos, territórios e espaços da cidade.
“O próprio nome ‘Andarilha’ nasce desse princípio: entendemos que os nossos trabalhos estão em caminhada. A proposta é criar percursos pela cidade, ocupando diferentes espaços culturais e também espaços não convencionais, fazendo com que cada apresentação estabeleça um novo encontro entre obra, território e público”, explica Nicka, artista e fundadora da Companhia Transversal de Artes Integradas.
Ao colocar essas obras em cena, a iniciativa evidencia a presença de pessoas trans em diferentes áreas da criação artística, não apenas como tema, mas como profissionais que criam, produzem, dirigem, interpretam e constroem suas próprias linguagens.
“Quando colocamos essas obras em cena, também evidenciamos que existem pessoas trans criando, produzindo, dirigindo, interpretando e construindo arte profissionalmente”, destaca Nicka.


A Mostra também busca confrontar estigmas e processos de desumanização que historicamente atravessam corpos trans, criando possibilidades para que o público encontre essas experiências a partir das próprias narrativas dos artistas.
“Queremos que o público possa encontrar pessoas trans a partir de nossas próprias narrativas, reconhecendo a pluralidade das nossas experiências e, sobretudo, a nossa potência enquanto artistas e criadoras”, afirma.
Sobre os espetáculos apresentados
A primeira edição da Mostra reúne dois trabalhos da Companhia Transversal de Artes Integradas: Matrioska e Senhora Travesti.
Matrioska, protagonizado por Daniel Esteves e co-dirigido por Daniel Esteves e Nicka, é um espetáculo que parte da experiência transmasculina para investigar as camadas de um corpo atravessado por memórias, afetos, violências e descobertas.
Já Senhora Travesti, com direção, dramaturgia e atuação de Nicka, parte da memória para construir uma experiência cênica atravessada pela existência travesti, articulando diferentes dimensões da experiência, da memória e da criação artística.
Os dois trabalhos integram o repertório da Companhia Transversal e refletem a pesquisa da companhia em torno de narrativas, experiências e perspectivas de pessoas trans.
Teatro, formação e acessibilidade
A escolha da Escola de Teatro e Canto Artemax para receber a primeira edição da Mostra aproxima a circulação artística da dimensão pedagógica.
A proposta é dialogar com estudantes que estão em processo de formação e construindo suas próprias referências sobre o teatro, os corpos que podem ocupar a cena e as narrativas que podem constituir uma obra artística.
“Estamos dialogando com estudantes que estão em processo de formação e construindo suas próprias referências sobre o que é teatro, quais corpos podem ocupar a cena e quais narrativas podem constituir uma obra artística”, explica Nicka.
Nesse sentido, a presença da Mostra dentro de uma escola de teatro também funciona como uma experiência de mediação. Os trabalhos apresentados são produções de artistas trans, mas carregam também pesquisas de corpo, atuação, dramaturgia, direção e diferentes modos de pensar a cena.
O Cazuá de Criação também integra essa rede de colaboração, contribuindo para o processo de preparação dos trabalhos, incluindo os ensaios e ações relacionadas à acessibilidade. A parceria amplia a dimensão de cuidado e acessibilidade presente no processo de construção da Mostra, fortalecendo as condições para que as obras possam encontrar diferentes públicos.
Para a Companhia Transversal, a articulação entre artistas, espaços e parceiros é parte do próprio sentido de uma mostra que nasce com a ideia de caminhar pela cidade.
“Que a Mostra possa a cada edição alcançar novos territórios, novos trabalhos e novos públicos”, declara Nicka.
SERVIÇO
Mostra Andarilha Transversal
Realização: Companhia Transversal de Artes Integradas
Apoio: Escola de Teatro e Canto Artemax
Parceria: Vale das Pedrinhas – Cazuá de Criação
Local: Escola de Teatro e Canto Artemax
Rua Acre, 164 – Nossa Senhora das Graças – Manaus (AM)
22 de setembro — 19h30
Matrioska
24 de setembro — 19h30
Matrioska
25 de setembro — 19h30
Senhora Travesti
Entrada gratuita
Mais informações: @ciatransversal